Monday, October 23, 2006

Supernova

A Supernova não é um evento banal: em cada galáxia elas surgem de duzentos em duzentos anos. Nestas explosões, a maior parte da massa da estrela original se lança a velocidades impressionantes and that´s why durante alguns dias a Supernova irradia a mesma energia que emitiu durante toda sua vida, chegando a brilhar mais do que o conjunto das estrelas que residem em sua galáxia.
Com o passar dos anos o remanescente da Supernova se esparça, criando uma nebulosa.
A seguinte foto do Hubble mostra os restos da Supernova M1 (NGC 1952), tão bonita feita uma esmeralda envolta pelas aortas do coração:




Nossa galaxia, a Via Láctea "Nestlè" (hehehe) proporciona espectáculos belíssimos, a exemplo da "Nebulosa do Ovo". Raios luminosos irradiam da estrela oculta e iluminam a poeira cósmica, como que se por luzes subaquáticas. A estrela central em CRL2688 foi um dia uma gigante avermelhada. Esta Nebulosa flui a 3.000 anos-luz de Cygnus, na Via Láctea. Novamente o Hubble mostra o segundo ínfimo e eu até fecho os olhos e me disfarço em bolha de sabão:




Os restos de uma estrela que explodiu há milhares de anos criam uma imagem abstrata em nossa galáxia, feito a NGC 2736, que viaja a 640.000 Km/h:



Mas meu nêgo, daí eu falo argo bastante importante: não há nada de psicodélico ou espantoso com relação às Supernovas!
Até porque eu messsm sou uma Supernova...

Wednesday, October 18, 2006

Pedro Páramo

Vine a Comala porque me dijeron que acá vivía mi padre, un tal Pedro Páramo. Mi madre me lo dijo.
(Juan Rulfo)
O autor de Pedro Páramo
P.S.: O deserto em minha memória. Não matei o inseto que aqui estava ao lado de minha mesa, caminhando solene no calendário.

Monday, October 16, 2006

Araras versáteis




Araras versáteis. Prato de anêmonas.
O efebo passou entre as meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii...
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.

(Hilda Hilst)

Thursday, September 21, 2006

Então ouvem-se os grilos molhados

Ontem 32 anos.
Hoje Dia da Árvore.
Um dos meus melhores aniversários: acordei feliz, com uma felicidade nada habitual. Antes eu sempre ficava meio borocochô nos meus aniversários, acho que porque pensava na passagem do tempo e no que eu estava fazendo da vida... Mas dessa vez foi diferente: eu senti uma alegria plena, uma "aleluia" como diria a Clarice... Alegria porque há 32 anos eu estou viva, e isso me basta.
Obrigada Deus pela vida.
Obrigada Deus pela saúde.
Obrigada Deus pela minha família, o que de melhor eu tenho.
Obrigada Deus pelos meus amigos, pelas pessoas que passaram e que hão de passar na minha vida e me fazer uma pessoa em crescimento.
Crescer...
Crescer...
Crescer como crescem as plantas.
Criar rugas.
Gerar vida.
Ensinar.
Aprender.
E pra celebrar a vida, G.H.:
Entendi então que, de qualquer modo, viver é uma grande bondade para com os outros. Basta viver, e por si mesmo isto resulta na grande bondade. Quem vive totalmente está vivendo para os outros, quem vive a própria largueza está fazendo uma dádiva, mesmo que a sua vida se passe dentro da incomunicabilidade de uma cela. Viver é dádiva tão grande que milhares de pessoas se beneficiam com cada vida vivida.

Friday, September 15, 2006

Poema empoeirado

Um poema véio, um poema empoeirado meu que tirei da gaveta... Reescrevi-o, modifiquei-o agora:


Singular


Causas do dia,
rabo do dia,
parto da noite.


Em você quero me fiar
e tecer o que de fêmea existe
debaixo das axilas,
por entre as coxas e a virilha.


O corpo é como um baú fechado
e quando penso em você
abrem-se
as
asas
como da parição,
mãe cujo ventre bipartido
deu à Terra novo animal.


O kháos é sua qualidade eminente.


Eu na verdade só entendo mesmo é da partição
que emana da tua trigonometria vital:
a divisão dos pães foi lançada.
Sente-se à mesa e lambuze a boca
do farelo e das maçãs.


Tua unidade é o que de melhor existe
e eu me fragmento em mil
quando teu cheiro me invade
e me (re)cria
uma.


Tuesday, September 12, 2006

Eu canto porque o instante existe

Noite quente no Brasil. Noite de primavera. Noite de setembro. O ar parado, noite bonita... As estrelas muito evidentes. Acabei de ler o blog da Janis e sempre adoro o modo como ela coloca os sentimentos cotidianos que a tocam. A narrativa dela é leve, é sincera como a noite de hoje...
Pra você eu dedico a noite quente que tanto eu gosto hoje. Um poema do Ferreira Gullar:
Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Janis, traduzir a vida, sempre... Ainda que dela a gente não leia nada, a gente só viva mesmo...
Viva Iemanjá, a rainha do mar! Viva!!!!
Iemanjá só canta bonito quando tem luar
Iê, Iemanjá
Iê, Iemanjá
Rainha das ondas sereia do mar
Rainha das ondas sereia do mar
Mas como é lindo o canto de Iemanjá
Faz até um pescador chorar
Quem escuta mãe d’água cantar
Vai com ela pro fundo do mar
Vai com ela pro fundo do mar

Wednesday, September 06, 2006

To Mr. and Mrs. Bandeira Valles

Hoje, após receber o inusitado telefonema da nossa estimada leitora, a Sra. Bandeira Valles, pude constatar que realmente ela tem razão do seu lastimar com relação à minha honesta, pobre porém limpinha pessoula: nunca coloquei uma fóóótinhááá dela aqui no bróguis. Umazinha sequer! Então hoje eu vou dedicar especialmente a página à esta cara colega da caravana de Arapongaaa e ao seu marido bonitão que dentre coisas adora comer salame e arrotar na cara dos outros, inscruzivis na minha. Hahahahaha!
Brincadeiras à parte, prometi não queimar o seu filme Lê, ao menos desta vez não! As minhas mãos estão até começando a coçar com vontade de te detonar amiga, mas dei minha palavra e não vou fazer isso! Ao invés, vou colocar algumas fotos de vocês e escrever um poema bonito em homenagem a este belo casal que tem uma moto fudida pra caralho, que adora receber os amigos no super apê com vista para a Igreja Matriz e que está sempre pronto pro que der e vier, principalmente quando o assunto é desmontar e consertar a torneira quebrada da casa dos outros...
A este casal que eu tanto gosto e que espero que possa permanecer junto por muitos e muitos anos, que possa construir um caminho de felicidade, de sabedoria e de paz.
Um beijo grande do
Astrólogo Bidú.
E como o blog é pra falar de amor, ai, põe então o Drummond na vitrola. Eu amo drummondiar quando o assunto é amor...
As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Arribano a noiva e o noivo... Em órdi di apariçãã: Carlo (Sr. Gisele), o noivo, Zeca, Rô fio-da-puta. Na fótu das muié: euzis, Alecréia e seu super ócrus pra escondê os zóim, Mari (escondida), Gi, noivo, noiva, Dinha, Ju, Drê. Que dia lindo! Que festa tão boa!!!!!