Djanira e o Brasil misturado
Sé que he perdido tantas cosas que no podría contarlas y que esas perdiciones, ahora, son lo que es mío. Sé que he perdido el amarillo y el negro y pienso en esos imposibles colores como no piensan los que ven. Mi padre ha muerto y está siempre a mi lado [...]. Nuestras son las mujeres que nos dejaron, ya no sujetos a la víspera, que es zozobra, y a las alarmas y terrores de la esperanza. No hay otros paraísos que los paraísos perdidos.
Hoje li isso do Borges ("Posesión del ayer", in Los Conjurados) e achei lindo! Ainda vou fazer um poema sobre isso, sobre isso que o Borges fala de ter perdido o amarelo e o negro e em cores impossíveis a seus olhos (Borges ficou cego na velhice) e não aos que conseguem ver.
É bem isso mesmo, só aquilo que está perdido é nosso para sempre, "irremediablemente mío", como diz o Neruda num poema que eu não me lembro...
E hoje eu quero falar da pintora Djanira... Maravilhosa!
Nascida no início do século passado em Avaré, estreitou seu contato com a arte ao se mudar para o Rio. Instalou-se, em Santa Teresa, na Pensão Mauá, ponto de encontro de artistas e intelectuais. Por volta de 1940, passou a ter aulas com Emeric Marcier e Milton Dacosta, seus hóspedes.
Em 1943 expôs pela primeira vez em uma mostra individual, na Associação Brasileira de Imprensa. Em 1944 a tela “O Circo” ganhou prêmio no Salão Nacional de Belas Artes.
Descendente de índios e austríacos, valorizava as raízes brasileiras com as pinturas dos santos e do candomblé. Cenas do folclore e retratos também fazem parte de sua obra.
Entre 1945 e 1947, morou em Nova York, tomando gosto pela pintura de Brueghel. Nesta mesma época, conheceu Fernand Léger, Miró e Chagall.
Entre 1945 e 1947, morou em Nova York, tomando gosto pela pintura de Brueghel. Nesta mesma época, conheceu Fernand Léger, Miró e Chagall.
De volta ao Brasil, percorreu o Planalto Central e o Norte e documentou usos e costumes populares. A partir desta viagem, seu colorido, desenho e composição demonstram um enriquecimento, tal como sua técnica.
De biografia interessantíssima, viveu algum tempo com os índios Canela e depois entrou para a Ordem Terceira das Carmelitas (1964), adotando o nome de Irmã Teresa do Amor Divino, dedicando-se também à arte sacra. (Detalhe: Djanira fora casada).
Faleceu num convento no Rio, deixando uma obra pra lá de brasileira com temas como lavradoras em atividade no campo, fachadas e figuras do povo, paisagens no interior, brincadeiras de crianças, celebração de anjos e orixás. Djanira chegou a pintar o mural "Candomblé" para a residência de Jorge Amado. Uma de suas obras mais grandiosas vem a ser o Painel Santa Bárbara (1964), que atualmente se encontra instalado no Museu Nacional das Belas Artes no Rio (originalmente formado por 5300 azulejos ocupando uma área de 130 metros quadrados, construído em homenagem aos 18 operários que faleceram num desabamento durante os trabalhos de abertura do Túnel Santa Bárbara, que liga o bairro do Catumbi ao das Laranjeiras, no Rio).
Foi a primeira artista latino-americana a ter obras no Museu do Vaticano, ao qual ofereceu a tela "Santana de Pé", por ela pintada com o braço esquerdo, já que havia fraturado a clavícula.
Antes de morrer, em 1979, magoada com a falta de reconhecimento de sua arte, escreveu: “Minha pintura não é ingênua. Eu é que sou”.
Obras a seguir, respectivamente: "Santana" - serigrafia, s/d; "Painel St. Bárbara" (Rio); "O Circo" (1944); e estudo para o cartaz da peça "Orfeu da Conceição" (s/d).




Para ver mais trabalhos de Djanira, favor visite o seguinte site:

1 Comments:
best regards, nice info film editing classes
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