PARADISE NOW
Hoje não tem como não falar desse filme...
Como tudo aqui no Brasil chega mais tarde (quem dirá em Londrina!), só tive a chance de ver "Paradise Now" ontem...
Lançado ano passado, o filme conta as últimas 48 horas das vidas de dois simples jovens palestinos - Saiid e Khaled, melhores amigos desde a infância - que foram recrutados para agir como "suicide bombers". Na narrativa o tempo se perde em vários desfechos, em diversas tensões e paradigmas, como se na realidade o próprio espectador da película fosse "explodir" ou "desarmar" junto aos protagonistas.
Eu particularmente amei a atuação do ator Kais Nashef (Saiid), e não é só porque ele é um gostoso! Hehehehehehe! Na verdade gostei muito do tom humano dado ao personagem: nada tão rebuscado ou forçado, com uma certa sutileza que nos leva a acreditar piamente no caráter de Saiid.
Lendo a crítica de Roger Ebert (cinéfilo dos bem "afrescalhados", como diria meu primo Junior), só pude lamentar como esse bando de idiotas "pseudo-intelectuais americanos" enxergam o Oriente Médio: Ebert considera o filme ruim porque "humaniza" os suicidas palestinos. E não seria essa a razão de ser do filme? Como falar do homem sem humanizá-lo? Acaso os ataques realizados tanto do lado palestino quanto do lado judeu não são praticados por seres humanos como eu e você, que sentem dor-de-barriga, comem, têm frieira nos pés, gostam de ouvir música e sobretudo, por seres repletos de convicções, paixões e medos tão bem guardados? Ou nem tanto!!?!
Sim, eu sei que não se pode tomar o filme como um conto da Carochinha de que os terroristas são jovens bonzinhos, bonitos, bons filhos e despreparados ao trabalho da morte. Não, mas eu toco na defesa da humanização dos palestinos suicidas porque a eles não restam muitas outras opções... É um exército judeu financiado pelos filhas-da-puta dos americanos, uma verdadeira potência, contra alguns miseráveis que pregam a resistência... Isso ele não diz na crítica. Nem nenhum outro ocidental preocupado com o vinho que vai tomar no jantar...
O diretor de "Paradise Now", Abu-Assad, é de origem palestina (nascido em Israel) e interessantemente sofreu pressões e ameaças de ambos os lados do conflito durante as filmagens.
Eu sinceramente saí do cinema com a sensação de que o Ocidente cada vez mais cria artifícios que propiciam uma cegueira e uma falta de sensibilidade, propriciadas por uma burrice coletiva. A burrice da indiferença e dos julgamentos de valores baseados no capital, na aparência e em todas as coisas efêmeras cada vez se faz mais concreta no útero do mundo ocidentalizado e tudo o que eu mais queria agora era descer desse trem maldito...




