Saturday, April 29, 2006

PARADISE NOW

Hoje não tem como não falar desse filme...
Como tudo aqui no Brasil chega mais tarde (quem dirá em Londrina!), só tive a chance de ver "Paradise Now" ontem...
Lançado ano passado, o filme conta as últimas 48 horas das vidas de dois simples jovens palestinos - Saiid e Khaled, melhores amigos desde a infância - que foram recrutados para agir como "suicide bombers". Na narrativa o tempo se perde em vários desfechos, em diversas tensões e paradigmas, como se na realidade o próprio espectador da película fosse "explodir" ou "desarmar" junto aos protagonistas.
Eu particularmente amei a atuação do ator Kais Nashef (Saiid), e não é só porque ele é um gostoso! Hehehehehehe! Na verdade gostei muito do tom humano dado ao personagem: nada tão rebuscado ou forçado, com uma certa sutileza que nos leva a acreditar piamente no caráter de Saiid.
Lendo a crítica de Roger Ebert (cinéfilo dos bem "afrescalhados", como diria meu primo Junior), só pude lamentar como esse bando de idiotas "pseudo-intelectuais americanos" enxergam o Oriente Médio: Ebert considera o filme ruim porque "humaniza" os suicidas palestinos. E não seria essa a razão de ser do filme? Como falar do homem sem humanizá-lo? Acaso os ataques realizados tanto do lado palestino quanto do lado judeu não são praticados por seres humanos como eu e você, que sentem dor-de-barriga, comem, têm frieira nos pés, gostam de ouvir música e sobretudo, por seres repletos de convicções, paixões e medos tão bem guardados? Ou nem tanto!!?!
Sim, eu sei que não se pode tomar o filme como um conto da Carochinha de que os terroristas são jovens bonzinhos, bonitos, bons filhos e despreparados ao trabalho da morte. Não, mas eu toco na defesa da humanização dos palestinos suicidas porque a eles não restam muitas outras opções... É um exército judeu financiado pelos filhas-da-puta dos americanos, uma verdadeira potência, contra alguns miseráveis que pregam a resistência... Isso ele não diz na crítica. Nem nenhum outro ocidental preocupado com o vinho que vai tomar no jantar...
O diretor de "Paradise Now", Abu-Assad, é de origem palestina (nascido em Israel) e interessantemente sofreu pressões e ameaças de ambos os lados do conflito durante as filmagens.
Eu sinceramente saí do cinema com a sensação de que o Ocidente cada vez mais cria artifícios que propiciam uma cegueira e uma falta de sensibilidade, propriciadas por uma burrice coletiva. A burrice da indiferença e dos julgamentos de valores baseados no capital, na aparência e em todas as coisas efêmeras cada vez se faz mais concreta no útero do mundo ocidentalizado e tudo o que eu mais queria agora era descer desse trem maldito...

Ali Suliman and Kasi Nashef in Warner Independent Pictures' Paradise Now

Thursday, April 27, 2006

É isto um homem?

Sumida por um longo tempo, é que agora as leituras e os estudos me consomem imensamente.
Queria deixar aqui dois fragmentos de um livro muito forte que andei lendo para a disciplina da História.
"É isto um homem?", publicado em 1947 pelo escritor italiano Primo Levi. Nele, Levi narra os momentos que passou em Auschwitz como prisioneiro judeu. Impressionante o relato, estou até agora chocada, como se era de esperar...
O homem pode ser brutal, o mais brutal dos animais...
Li a versão em espanhol (1988), mas vou traduzi-la aqui para o portuga.
"Já estamos transformados nos fantasmas que havíamos deslumbrado noite passada. Então pela primeira vez nos demos conta de que nossa língua não tem palavras para expressar esta ofensa, a destruição de um homem. Em um instante, com intuição quase profética, a realidade nos é revelada: chegamos ao fundo. Mais fundo que isso não se pode chegar: uma condição humana mais miserável não existe tampouco se pode imaginar. Não temos nada nosso: tiraram-nos as roupas, os sapatos e até os cabelos; se falarmos, não nos escutarão, e caso nos escutassem, não nos entenderiam. Até mesmo o nome nos tiraram: e se quisermos conservá-lo deveremos encontrar dentro uma força arquitetada de tal maneira que, atrás do nome, algo nosso, algo do que um dia fomos, enfim permaneça.
Sabemos que é difícil que alguém consiga entender tudo isso, e até compreensível, mas pense no valor, no significado que há mesmo nos mais pequenos de nossos costumes cotidianos, nos cem objetos nossos que o mais humilde mendigo possui: um trapo que seja, uma carta velha, a foto de uma pessoa querida. Estas coisas são parte de nós, quase que como membros de nosso corpo; e é impensável que nos vejamos privados delas, em nosso mundo, sem que imediatamente encontremos outras que as substituam, outros objetos que nos pertençam, suscitando ser nossas memórias.
Pois imaginem agora um homem a quem, além de suas pessoas amadas, roubem-lhe também a casa, os costumes, as roupas, tudo, literalmente tudo o que possui: será um homem vazio, reduzido ao sofrimento e à necessidade, vazio de dignidade e de juízo, porque àqueles que perderam tudo ocorre que se perdem a si mesmos [...]" (Capítulo "En el fondo").
"Por que tudo isto? Por que a dor de cada dia se traduz em nossos sonhos tão constantemente na cena repetida da narração que ninguém, absolutamente ninguém escuta?
Muitos tremem os lábios e batem as mandíbulas. Sonham que estão comendo: este é também um sonho coletivo. É um sonho impiedoso, quem inventó o mito de Tântalo deveria conhecê-lo. E não apenas podem ver os alimentos, como também o sentem nas mãos de modo concreto, percebem seu gosto rico e violento; e há aqueles que o levam à boca [...]. E então desaparece o sonho e se rompem seus elementos [...].
Assim se arrastam nossas noites. O sonho de Tântalo e o sonho do relato se inserem num tecido de imagens menos claras: o sofrimento, golpes, frio, cansaço, medo e promiscuidade reaparecem pelas noites nos pesadelos informes de uma violência maldita que só se pode ter o homem livre em horrendas noites de febre". (Capítulo "Nuestras noches").
Foto do Holocausto: Cena horrenda. Prisioneiros submetidos a experimentos médicos em Auschwitz.
Mortos empilhados em campo de concentração (Belsen).
Crianças submetidas a experimentos médicos em Aushwitz.
E por fim, não menos chocante, foto de uma criança cujas pernas foram estraçalhadas na invasão do Iraque pelos EUA e seus aliados.
SERÁ QUE O HOLOCAUSTO ACABOU??????????????

Sunday, April 02, 2006

To Zion

Tempo que não escrevo. É que tô me concentrando nas minhas leituras particulares (relendo Grandes Sertões) e nos meus poemas.
Mas pra não perder o costume hoje vou colocar uma música que amo: To Zion, da Lauryn Hill. Linda, ela canta para o filho dela. É linda a música, uma declaração de amor e tanta... Fora a voz dela, que é linda demais. Daí junta voz e sentimento! Vixi!!!!
[Featuring Carlos Santana]
One day you'll understand...
ZionUnsure of what the balance held
I touched my belly overwhelmed
by what I had been chosen to perform
But then an angel came one day
Told me to kneel down and pray
for unto me a man child would be born
Woe this crazy circumstance
I knew his life deserved a chance
but everybody told me to be smart
"Look at your career " they said,
"Lauryn baby use your head."
But instead I chose to use my heart
Now the joy... of my world...
is in Zion! (Zion, Zion!)
Now the joy... of my world...
is in Zion! (Zion, uhh, Zion!)
How beautiful if nothing more
than to wait at Zion's door
I've never been in love like this before
Now let me pray to keep you from
the perils that will surely come
See life for you my Prince has just begun
And I thank you for choosing me
to come through unto life to be
A beautiful reflection of His grace
See I know that a gift so great
is only one God could create
And I'm reminded every time I see your face
that the joy... (JOY) of my world... (WORLD)
is in Zion! (IS IN ZION) I said Zion! (IS IN ZION)...